26 de novembro de 2007

Campanha Cerveja Tagus


ORGULHO LÉSBICO, GAY, BI, TRANS, QUEER
Orgulho de Quê?



Nós, lésbicas, gays, bisexuais, transgéneros (LGBT) e outr@s rebeldes sexuais, temos orgulho de enfrentar as consequências de não escondermos a nossa identidade sexual ou de género. Temos orgulho de termos sobrevivido à nossa orientação sexual ou identidade de género fora da norma numa sociedade que nos condena ao silêncio e à vergonha (muit@s não sobreviveram). Nas nossas marchas, celebramos o orgulho de quem recusa a carga moral de culpabilidade que nos é imposta, quando seria tão fácil continuarmos a esconder os nossos desejos e apenas fingirmos “ser normais”.



Não estamos orgulhosos da nossa orientação sexual, deixamos isso – e quaisquer definições de “normalidade” – para heterossexuais homofóbicos. Temos orgulho, sim, de escolhermos vivê-la, mesmo quando isso faz de nós alvos de discriminação e violência. Temos orgulho por oposição à vergonha. Temos orgulho nas lutas de longo prazo que tant@s travaram e travam contra a criminalização ou medicalização das nossas identidades e pela construção árdua dos nossos movimentos sociais.



Temos orgulho na força, no esforço, nos sacrifícios que tantas pessoas LGBT assumiram ao longo da História para sair do armário e exigir dignidade. Temos orgulho na imensa variedade das nossas expressões e formas de expressão. O orgulho LGBT é necessário como o “black is beautiful” foi necessário nos anos 60 norte-americanos: como então, muit@s de nós continuamos a sentir culpa, vergonha e auto-depreciação por aquilo que somos. Sem orgulho, as novas gerações LGBT em tantos países estariam condenadas à mesma existência clandestina que os seus predecessores combateram. No processo da sua auto-descoberta, muitas gerações têm tido, pela primeira vez, a possibilidade de crescerem como LGBT com referências positivas do que isso significa, e com menos referências negativas.



Nenhum outro motivo senão Orgulho motivou a histórica revolta de Stonewall - na origem do actual movimento lgbt -, quando o desejo de dignidade se traduziu em resistência à violência policial. Quando a nossa vida pessoal condiciona os nossos direitos cívicos, deixa de ser “privada” e torna-se “política”. E precisamos de ser visíveis hoje para que amanhã não tenhamos necessidade disso, quando as pessoas deixarem de ser definidas com base na sua identidade sexual ou de género.



“Dar a cara” continua, infelizmente, a ter consequências negativas. Mas é mesmo por isso que é preciso que cada vez mais gente saia do armário ou, pelo menos, se envolva com o associativismo LGBT: para inverter essa situação injusta. Para que um dia “dar a cara” seja tão natural como lavar os dentes e seja tão banal que não acarrete discriminação.



A homofobia é um sistema político na sociedade que temos.

Orgulho e activismo, armas contra a violência homofóbica e transfóbica e a sua promoção!
ORGULHO É PROTESTO!

2 comentários:

Insanø disse...

ao que parece "decidiram" retirar os cartazes dessa campanha para serem substituídos por outros que afirmam o "direito de seres como quiseres"

hehe..

Insanø

R disse...

antes demais peço desculpa pela minha ignorancia em relaçao à referida campanha, mas tudo o que sei a cerca disso é aquilo que pude observar nos cartazes que por aí andavam, que diziam algo do género "mostra que tens orgulho em ser hetero". Fui ao site da cerveja tagus e nao encontrei nada sobre o assunto (se calhar foi azelhice minha). se o resto da campanha diz algo contra os homossexuais, então entendo as razões do vosso descontentamento. se promove apenas o orgulho hetero, então acho o conteudo deste post ridiculo. eu tenho orgulho em ser portuguesa e nao é por isso que discrimino os espanhois. se os homos podem ter orgulho naquilo que são, porque é que os heteros nao podem? o facto de eu dizer que tenho orgulho em ser hetero não implica discriminação aos homossexuais. Foi assim que entendi a campanha